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Na década de 60, o cinema
desfalecia. O objectivo de lhe restituir vida era nobre, mas
os meios para o atingir, estavam longe disso. A nova vaga
provou ser uma pequena onda que deu á costa, sem rumor. Os
slogans de individualismo e liberdade, produziram trabalhos
durante algum tempo, mas nenhuma mudança. A onda nunca foi
mais forte que os homens por detrás dela. O cinema
anti-burguês, tornou-se ele próprio burguês uma vez que as
fundações sobre as quais assentavam as suas teorias se
baseavam numa burguesa percepção de arte. A concepção
artística do autor era á partida minada por um romantismo
cor-de-rosa, e portanto...falsa.
Hoje, uma tempestade tecnológica imerge de rompante e o
resultado final será a total democratização do cinema. E digo
democratização no pior sentido do termo. Pela primeira vez,
qualquer
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pessoa
pode fazer um filme. Mas quanto mais acessíveis se tornam os
media, maior importância toma o conceito já esbatido de «avant-garde».Na
raíz deste conceito, a guarda avançada, ou a
vanguarda, há um cariz militar, e efectivamente, os
«filmes dogmáticos» tiveram de vestir um uniforme. O filme
individual, é decadente por definição.Em 1960, dizia-se que o
cinema agonizava, sufocado em cosmética. No entanto, a partir
daí, o uso da cosmética explodiu. A suprema tarefa dos
realizadores é enganar o público. É disto que se podem
orgulhar? É isto que os «100 anos» nos troxeram? Ilusões,
através das quais as emoções podem ser comunicadas. A
maquiagem é o totem dourado, em torno do qual dançamos. Como
nunca antes, a acção superficial e o filme superficial recebem
todos os louvores. O resultado é um vasto campo infértil. Uma
ilusão de vida e uma miragem de amor.
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